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8 de abr. de 2013

Dicas em vídeo para falar em público

Muita gente tem receio ou até mesmo medo de falar na frente de outras pessoas. O problema é que nem sempre podemos fugir disso, especialmente no ambiente de trabalho ou na faculdade.

Vou colocar várias dicas básicas aqui para que você consiga desenvolver essa habilidade. A primeira já está no ar:



10 de set. de 2012

Como vencer o medo de falar em público

Quem nunca sentiu pelo menos um mal estar antes de falar em público que atire a primeira pedra...

O problema é comum até para os oradores mais experientes. Mesmo quando dominamos profundamente o assunto, há momentos em que as pernas tremem, o coração dispara, as mãos gelam e a respiração fica ofegante. Nestas horas, as ideias se embaralham e não é raro que a gente sinta que não é capaz nem de dizer o próprio nome, sem demonstrar nervosismo.

Por que o medo aparece?

O medo costuma aparecer porque temos consciência de nossas próprias falhas ou porque projetamos pensamentos negativos, que podem ser infundados. Ou seja, na prática, sofremos por antecipação. Antes de começar a falar já estamos passando mal porque as glândulas suprarrenais disparam adrenalina que vai mexer com nossa pressão arterial, enrijecer os músculos, fazer circular um excesso de energia que, se não for bem aproveitado, nos dá a sensação geral de nervosismo e descontrole.

O pior é que quanto mais descontrolados, mais adrenalina produzimos... forma-se um ciclo vicioso que só é rompido quando conseguimos nos acalmar.
 
Quando não conseguimos controlar o medo, todo o domínio do conteúdo passa a ficar em segundo plano. O nervosismo e a ansiedade podem até prejudicar nossa memória e a assimilação do tema que estamos expondo.

Mas, como ficar calmo antes de falar em público?

A melhor dica é trabalhar a ansiedade. Lembre-se: ter medo de falar em público é sofrer por antecipação. Precisamos colocar no devido lugar alguns paradigmas que não fazem sentido quando submetidos à razão, mas que na maioria das vezes, nos impulsionam a sofrer de ansiedade.
  • Perfeccionismo: Tenho que agradar a todo mundo.
  • Baixa-estima: Todo mundo é melhor do que eu.
  • Medo de errar: não posso cometer nenhum erro ou estou arruinado
Obviamente, estas posturas não podem ser sustentandas o tempo todo. Mas prevalecem com muita força no nosso campo emocional atrapalhando nosso desempenho. É preciso modificá-las, sem arrogância ou receio de parecer petulante.
  • Não dá para agradar a todo mundo ao mesmo tempo. Mas posso agradar a maioria.
  • Alguém é melhor do que eu, mas neste momento, vou dar o melhor de mim e todo mundo vai perceber isso.
  • Se cometer qualquer erro, não preciso perder o controle. Basta, pedir desculpas e seguir adiante. 
Para combater o medo, conheça o assunto, ordene as ideias e pratique bastante. Não o alimente, imaginando suas falhas. Estabilize suas emoções e trabalhe sua imagem de sucesso a partir do pensamento. Toda vez que o medo reaparecer, lembre-se desta valorização e mantenha o foco nesta imagem.

Se você dominar o assunto e conseguir controlar sua ansiedade no momento de falar em público, suas emoções vão ajudar a conquistar os ouvintes. Como já dizia, o filósofo e matemático inglês Bertrand Russel, no século XIX, “Quando se vence o medo, começa a sabedoria”.

28 de mai. de 2010

Profissionais (in) substituíveis

Recebi este email de dois ex-alunos. Além de agradecer profundamente, resolvi compartilhar no blog para provocar a reflexão:

Como ser um profissional insubstituível? Para mim, a paixão pelo trabalho é que torna o profissional insubstituível.



Na sala de reunião de uma multinacional o diretor nervoso fala com sua equipe de

gestores. Agita as mãos, mostra gráficos e, olhando nos olhos de cada um ameaça:

"ninguém é insubstituível" .



A frase parece ecoar nas paredes da sala de reunião em meio ao silêncio. Os gestores

se entreolham, alguns abaixam a cabeça. Ninguém ousa falar nada. De repente um braço

se levanta e o diretor se prepara para triturar o atrevido:



- Alguma pergunta?



- Tenho sim.



-E Beethoven ?



- Como? - o encara o diretor confuso.



- O senhor disse que ninguém é insubstituível e quem substituiu Beethoven?



Silêncio.....



O funcionário fala então:



- Ouvi essa estória esses dias contada por um profissional que conheço e achei

muito pertinente falar sobre isso.





Afinal as empresas falam em descobrir talentos, reter talentos, mas, no fundo

continuam achando que os profissionais são peças dentro da organização e que, quando

sai um, é só encontrar outro para por no lugar.



Quem substituiu Beethoven? Tom Jobim? Ayrton Senna? Ghandi? Frank Sinatra?

Garrincha? Santos Dumont? Monteiro Lobato? Elvis Presley? Os Beatles? Jorge Amado?

Pelé? Paul Newman? Tiger Woods? Albert Einstein? Picasso? Zico? etc...





Todos esses talentos marcaram a história fazendo o que gostam e o que sabem fazer

bem, ou seja, fizeram seu talento brilhar. E, portanto, são sim insubstituíveis.



Cada ser humano tem sua contribuição a dar e seu talento direcionado para alguma

coisa.



Está na hora dos líderes das organizações reverem seus conceitos e começarem a

pensar em como desenvolver o talento da sua equipe focando no brilho de seus pontos

fortes e não utilizando energia em reparar seus 'erros/ deficiências' .



Ninguém lembra e nem quer saber se Beethoven era surdo , se Picasso era instável ,

Caymmi preguiçoso , Kennedy egocêntrico, Elvis paranoico ...



O que queremos é sentir o prazer produzido pelas sinfonias, obras de arte, discursos

memoráveis e melodias inesquecíveis, resultado de seus talentos.





Cabe aos líderes de sua organização mudar o olhar sobre a equipe e voltar seus

esforços em descobrir os pontos fortes de cada membro. Fazer brilhar o talento de

cada um em prol do sucesso de seu projeto.



Se seu gerente/coordenador , ainda está focado em 'melhorar as fraquezas' de sua

equipe corre o risco de ser aquele tipo de líder/técnico, que barraria Garrincha por

ter as pernas tortas, Albert Einstein por ter notas baixas na escola, Beethoven por

ser surdo. E na gestão dele o mundo teria perdido todos esses talentos.





Seguindo este raciocínio, caso pudessem mudar o curso natural, os rios seriam retos

não haveria montanha, nem lagoas nem cavernas, nem homens nem mulheres, nem sexo,

nem chefes nem subordinados . . . apenas peças.





Nunca me esqueço de quando o Zacarias dos Trapalhões 'foi pra outras moradas'. Ao

iniciar o programa seguinte, o Dedé entrou em cena e falou mais ou menos assim:

"Estamos todos muito tristes com a 'partida' de nosso irmão Zacarias... e hoje, para

substituí-lo, chamamos:... . Ninguém ... pois nosso Zaca é insubstituível"



Portanto nunca esqueça: Você é um talento único... com toda certeza ninguém te

substituirá!



"Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo..., mas posso fazer alguma

coisa. Por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso."



"No mundo sempre existirão pessoas que vão te amar pelo que você é..., e outras...,

que vão te odiar pelo mesmo motivo..., acostume-se a isso..., com muita paz de

espírito. ..". É bom para refletir e se valorizar!



Um Bom Dia..... Insubstituível!!!

15 de mar. de 2010

Oratória para Advogados e outras carreiras jurídicas

Reportagem em Jornal de Joinville (SC) comenta a importância de saber falar bem em público para os profissionais de Direito. Lembrando que falar bem não é apenas "sair falando", mas saber equilibrar conteúdo, público, tempo e infra-estrutura.

Veja a íntegra. O link está no final.

 Uma nova advocacia
Na semana que passou, novamente, a Suprema Corte chamou atenção do País. De um lado, o ilustre advogado criminalista Nélio Machado em defesa de seu constituinte José Roberto Arruda. De outro, a subprocuradora-geral da República Débora Duprat, na condição de custus legis (fiscal da lei).




A defesa do advogado foi empolgante, visceral, feita com desassombro e em tom elevado. Porém, cometeu alguns pecados. Pecou pela pouca referência ao objeto da causa. Pecou por não incitar no espírito dos julgadores a dúvida quanto à presença dos requisitos autorizadores da prisão preventiva. Era preciso que a defesa aclarasse a desnecessidade atual da manutenção da medida cautelar penal. Era preciso que se dissesse por qual motivo não mais se fazia justificável a prisão preventiva. Do jeito que foi, a linha argumentativa apenas tangenciou o núcleo da discussão.



Contrapondo os argumentos da defesa, falou o Ministério Público. Foi uma sustentação burocrática, porém precisa e de extrema competência técnica. Escancarou a ausência de foco da defesa e reafirmou a presença de todos os requisitos exigidos pela lei processual penal para manutenção da ordem cautelar.



Embora fantasiosa a ideia de que o debate oral possa dar curso definitivo a uma causa, o debate é importante na medida em que expõe a síntese das estratégias adotadas no processo. Daí porque diz muito àqueles que não estão em contato direto com os autos e aos espectadores em geral.



E nesse caso em concreto, o debate deixou a todos uma lição: é novo tempo. Tempo em que a seara jurídica é ocupada por atores com grande apuro técnico. Tempo de avanço nas carreiras de Estado. Tempo em que “grandes nomes” da advocacia não mais vencem causas pela honorabilidade, em que a oratória sem conteúdo tornou-se superficial.



O apuro técnico daqueles que operam na relação processual penal (juízes e promotores) exige do profissional da advocacia uma nova qualificação e uma nova postura voltada para a construção da verdade real, sob pena de descrédito profissional.



O espectro de soluções e teses defensivas mirabolantes (que antes faziam a fama dos profissionais da advocacia) está cada vez mais reduzido diante de casos em que as provas contrárias se apresentam fartas. As soluções hoje são eminentemente técnicas.



Não é compreensível, nos dias de hoje, conduzir os feitos com defesas frágeis e argumentos retóricos. É ilusão, fruto de uma postura profissional superada, que impõe prejuízo a todos os envolvidos na causa: perde o réu porque o processo deixa de ser instrumento para justa aplicação do direito e perde a sociedade pelo trabalho inútil que se desenvolve.



Em certos casos (com todas as ressalvas que a dinâmica da vida impõe), faz bem o profissional da advocacia que desde cedo informa ao cliente que a vitória nos autos mais se aproxima da aplicação justa da lei do que da ilusão da absolvição.



Essa é uma postura ética que a muito exige a lei quando fala em lealdade processual. É uma exigência social que faz valer o dito popular: “O advogado é o primeiro juiz da causa”.



Advogado graduado pela UFPR e especialista pela FGV

http://www.clicrbs.com.br/anoticia/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a2835848.xml&template=4187.dwt&edition=14277&section=882

21 de jan. de 2010

Oratória garante o sucesso de Obama

Mais uma reportagem mostrando como a oratória eficiente garante a popularidade, o sucesso e o poder de liderança do presidente americano. Esta comenta inclusive, quem é o autor dos discursos e ressalta um ponto importante: o conteúdo é excelente, mas sem o estilo nada seria...

Discurso de Obama é sua arma mais poderosa, diz historiador


20/01 - 07:34 - Leandro Meireles Pinto, iG São Paulo

Desde 2004, quando despontou no cenário político dos Estados Unidos, Barack Obama conquistou sua popularidade amparado por discursos de impacto e oratória cativante. "O discurso de Obama é sua arma mais poderosa", afirmou o historiador político Evan Cornog, professor da Universidade de Columbia, em Nova York.

Seu discurso na Convenção Nacional Democrata de 2004, quando ainda era um desconhecido senador pelo Estado de Illinois, rendeu-lhe a reputação de estrela em ascensão do partido, abrindo caminho para sua candidatura nas primárias presidenciais do partido.

Durante a campanha eleitoral, em 2008, Obama foi capaz de atrair milhares de partidários dentro e fora dos EUA. Em 24 de agosto de 2008, por exemplo, o então candidato democrata foi a Berlim, na Alemanha, e discursou para mais de 100 mil pessoas.


Em um ano de governo, Obama fez uma série de discursos que marcaram o tom de sua política externa e doméstica.

Ele pediu o fim das armas nucleares em Praga, lançou um "novo começo" com o mundo islâmico no Cairo, justificou a guerra "justa" ao receber o Nobel da Paz em Oslo e assumiu a responsabilidade por falhas na segurança do país em Washington.

"Obama é o presidente mais eloquente dos últimos 50 anos. Ronald Reagan e John F. Kennedy eram bons oradores, mas ninguém conseguiu passar tanta emoção em seus discursos como Obama", disse Cornog.

Estilo e conteúdo

Jon Favreau, de apenas 26 anos, é o homem responsável por escrever os discursos do presidente dos Estados Unidos. Em entrevista ao "The New York Times", há um ano, ele afirmou que busca inspiração em Jonh Kennedy, Martin Luther King e Robert F. Kennedy.

As declarações de Favreau ao jornal deram munição aos críticos que dizem que a reputação de Obama como grande orador se deve ao fato de "pegar emprestadas" as artimanhas de grandes personalidades do passado. "Esses críticos estão errados. O que atrai no discurso de Obama não é apenas sua oratória. Quando ele fala, estilo e conteúdo andam juntos", disse o professor Cornog.

O professor explica que, apesar de ter extrema "presença de palco", o presidente só consegue cativar o público em suas falas porque traz uma mensagem "clara, bem estruturada, de acordo com aquilo que as pessoas esperam ouvir".

Segundo o professor Cornog, o passado e a história de vida de Obama também ajudam para aumentar o impacto de seus pronunciamentos.

Nascido em Honolulu, no Havaí, em 4 de agosto de 1961, Obama é filho de Barack Obama Sr., um economista queniano educado em Harvard, e de Ann Dunham, nascida em Wichita, Kansas, Estado incrustado no coração dos EUA. Após o divórcio dos pais, Obama, ainda criança, morou na Indonésia com a mãe e o padrasto.

Essa biografia incomum também muda a forma como seus discursos são recebidos, não só nos Estados Unidos, mas ao redor do mundo", explicou Cornog.

http://ultimosegundo.ig.com.br/1anoobama/2010/01/20/discurso+de+obama+e+sua+arma+mais+poderosa+diz+historiador+9369577.html

13 de jan. de 2010

Como está o seu vocabulário?

A reportagem está na Revista Época Negócios.

Pesquisa realizada no Reino Unido mostra que adolescentes começam a perder vagas no mercado de trabalho por dificuldade de se expressar
Por Época NEGÓCIOS Online

Apesar de criar novos empregos e formas de relacionamento, a tecnologia pode atrasar a entrada de jovens no mercado de trabalho. Uma pesquisadora do Reino Unido constatou que adolescentes estão reduzindo seu vocabulário - e que a maior parte dos jovens usa apenas 800 palavras para se expressar. Segundo Jean Gross, o normal seria que as pessoas tivessem um vocabulário de cerca de 40 mil palavras aos 16 anos de idade.

A pesquisadora disse ao jornal "Daily Mail" que a dificuldade em se expressar está atrasando a entrada de jovens no mercado de trabalho. Isto porque mesmo que eles conheçam milhares de palavras, não sabem muito bem como usá-las, já que estão acostumados com a escrita rápida e curta da internet e mensagens por celular.

Jean Gross advertiu o governo britânico sobre os efeitos que a tecnologia pode ter sobre estes jovens. Ela diz que suas preocupações aumentaram com uma pesquisa realizada pelo professor de linguística Tony McEnery. Segundo ele, as 20 palavras mais usadas por adolescentes são as mais simples (como "sim", "não" e "mas") ou gírias e siglas.

Mulheres na escolaA pesquisa do professor foi patrocinada pela rede de supermercados Tesco. O CEO da empresa, Terry Leahy, também alertou sobre o ensino nas escolas, que não é suficiente para a formação cultural dos jovens, o que colabora com o desemprego.

A sugestão de Jean Gross para minimizar este efeito não é eliminar a tecnologia da vida dos adolescentes. Ao contrário: ela quer lançar uma campanha propondo atividades que estimulem o estudo. Uma das ideias é incentivar que os jovens visitem empresas e gravem vídeos sobre a comunicação no dia a dia corporativo. Com a produção no YouTube, ficaria bem mais fácil estudar.

http://epocanegocios.globo.com/Revista/Common/0,,EMI115327-16382,00-TECNOLOGIA%20REDUZ%20VOCABULARIO%20DE%20JOVENS%20PARA%20PALAVRAS.html

6 de jan. de 2010

A Oratória do presidente Lula

Gostando ou não de política, ou dos resultados da nossa política hoje, não podemos discutir que entre as qualidades do presidente está a oratória.

Neste artigo do site Congresso em Foco, dois articulistas discutem a naturalidade do presidente Lula ao falar em público:



Sem meias barganhas, mas com artimanhas

Renata Camargo*

Em pesquisa no Google para localizar materiais sobre a COP 15, encontrei a íntegra do último discurso de Lula em Copenhague no blog Vi o mundo, do Luiz Carlos Azenha, e decidi ler os comentários dos leitores. Parti então para outras páginas, como o blog do Luis Nassif, site do Greenpeace, site da Miriam Leitão e seus leitores. Pesquisa interessante.

A partir daí foi possível perceber os contornos do discurso de Lula. É com Fernando, um leitor do blog do Azenha, que postou às 10h41 do dia 19/12, que compartilho parte das minhas considerações em relação ao discurso do Lula. Fernando escreveu:

"Os discursos do Lula são bons mesmo.

Claro que o governo dele vai entrar pra história como o pior da área ambiental, desmontando o Ibama, flexibilizando as leis, destruindo tudo com o PAC, liberando os transgênicos e etc.

Mas o discurso foi sensacional".

Os discursos de nosso presidente nem sempre são tão bons assim. Lula dá umas várias mancadas em seus improvisos como dizer: “Eu quero tirar o povo da merda”. Não tenho problemas com palavrões. Mas acho que nenhum povo se sente confortável de ouvir que está “na merda”. Então aquilo não foi espontaneidade, foi estupidez.

Fora isso, concordo com o leitor Fernando quando ele diz que o governo Lula “vai entrar para a história como o pior da área ambiental”. O governo petista conseguiu superar no Executivo e no Congresso em muito o governo tucano em termos de políticas ambientais. Não coloco em xeque a questão partidária e longe de achar que os tucanos têm uma visão ambiental mais apurada. Mas, na atual conjuntura, onde o consciente ecológico cresce, o governo Lula escorregou feio. Desnecessário.

Ainda assim, o discurso de Lula na COP 15 foi positivo. Foi bom, primeiro, porque quem estava representado no discurso não era a figura do presidente Lula ganhador do troféu abacaxi (ou troféu motosserra, cupim ou outras sugestões bem-vindas...). Quem discursava era o estadista brasileiro, chefe do país que possui a maior parte da Floresta Amazônica. Era essa a imagem representada naquele momento.

Então Lula usou o dom do improviso, subiu o tom e deu alfinetadas importantes. Deu nó na gargande de críticos ambientais ferrenhos de sua política e em formadores de opinião que não simpatizam nada com o presidente barbudo. Pegou o povo de surpresa. Miriam Leitão não demonstrou muito apreço. Mas, nos bastidores, ela certamente deve ter ficado orgulhosa de ser brasileira.

Segundo, foi bom porque aquele discurso não ficou só no global warming – teoria duvidosa repetida como um mantra. Foi um discurso com sensibilidade. Atingiu a questão do clima, o econômico, o social, o racial, o estrutural e a complexa teia das relações humanas e de poder entre indivíduos e entre nações. Lula – talvez pelo sábio que ele esperava que lá baixasse – pareceu compreender a dimensão sistêmica do problema e traduziu isso para um linguagem direta.

Ele foi aplaudido efusivamente ao apontar o dedo para os chefes de países ricos e dizer que o dinheiro que vai ser colocado na mesa é o pagamento pela emissão de gases de quem teve o privilégio de se industrializar primeiro. “A questão não é apenas dinheiro”, disse Lula, “e não pensemos que estamos dando uma esmola”.

E foi aplaudido mais uma vez ao ressaltar que o debate na conferência não era apenas “a questão do clima”, era para “discutir desenvolvimento e oportunidades para todos os países”. Na quebra de protocolo, Lula anunciou que “o Brasil está disposto a colocar dinheiro também para ajudar os outros países” e enfatizou que ainda não havia dito isso a seu Congresso. Certamente Obama – que se escondeu atrás do Congresso americano – ouviu os aplausos a Lula.

“Se a gente não conseguiu fazer até agora esse documento, eu não sei se algum anjo ou algum sábio descerá neste plenário e irá colocar na nossa cabeça a inteligência que nos faltou até a hora de agora. Não sei”, disse Lula. E os lamentos renderam a quarta salva de palmas.

Terminou seu discurso dizendo que “o Brasil não veio barganhar” e que “as nossas metas não precisam de dinheiro externo”. E, ao final, uma choradinha: “Nós passamos um século sem crescer, enquanto outros cresciam muito. Agora que nós começamos a crescer, não é justo que voltemos a fazer sacrifício”. E mais aplausos.

Lula conseguiu resumir objetivamente que a desigualdade estabelecida entre as nações existe não, simplesmente, porque uns são melhores e mais eficientes que outros. E sim, muito, por causa de toda uma estrutura de dominação. Além dos reflexos internacionais, Lula conseguiu com seu discurso uma proeza nacional: "uniu" ruralistas, ambientalistas, mineradores, preservacionistas, Casa Civil, Ministério do Meio Ambiente.

Nãé segredo que Lula é dotado do dom da oratória. Independentemente de gostar ou não dele, é preciso reconhecer que essa é uma característica que o leva a ter altos índices de popularidade. Ao falar em Copenhague, Lula saiu do discurso “tecnicamente bom, mas politicamente morno” para um discurso “sem meias palavras”, nas palavras do Greenpeace.

Lula foi, sobretudo, BRASILEIRO, com todas as qualidades e defeitos que ser um brasileiro carrega. Agora resta esperar que Lula incorpore seu discurso em sua política de governo. E não faça como muitos maus brasileiros que são muitos efusivos com promessas, mas cumprir que é bom...

Um leitor deste site que assina ‘cidadao brasileiro’ postou um comentário interessante às 9h27 do dia 19/12 na matéria Lula se diz “um pouco frustrado” com Copenhague. Ele questiona se o presidente Lula não está levantando essa bandeira ambiental de olho nas eleições 2010. E lembrou que o Lula do discurso é o mesmo Lula que pede “para anistiar todos os que teriam que pagar multas por desmatamento”. Muito oportuna as colocações e a resposta vem da própria concorrência.

Cop 15 - Esperança para o mundo ou palanque eleitoral

Para terminar, deixo aqui a opinião enfática de um filósofo que muito considero, Leonardo Boff. Por e-mail, recebi seu artigo “É a treva”, em que descreve o fracasso de Copenhague. Em resposta, me solidarizei a ele e aproveitei para questioná-lo em relação ao discurso de seu amigo Lula. Na resposta, Boff foi direto.

“Fiquei impressionadíssimo com o improviso de Lula. Ele rompeu o protocolo e se encheu de indignação profética, denunciando a má vontade e a falta de cooperação e de solidariedade dos ricos. Falou a verdade, coisa que a maioria não faz. Mente e sabe que mente e tudo continua como se nada houvesse. Não foi retórica o que Lula disse: foi uma queixa dolorosa e um gesto de cooperação e solidariedade para com os mais pobres”.

Assim esperamos.


*Formada em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), Renata Camargo é especialista em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pelo CDS/UnB. Já atuou como repórter nos jornais Correio Braziliense, CorreioWeb e Jornal do Brasil e como assessora de imprensa na Universidade de Brasília e Embaixada da Venezuela. Trabalha no Congresso em Foco desde 2008.

http://congressoemfoco.ig.com.br/coluna.asp?cod_canal=14&cod_publicacao=31284

15 de dez. de 2009

A oratória de Obama

Um dos comentários mais feitos na entrega do Nobel da Paz ao presidente dos EUA, Barack Obama, é o quanto sua oratória e sua postura contribuem para conter os extremismos.

Ou seja, ele passa credibilidade suficiente até para defender uma guerra.